
Apontado como 'novo Juan' por Marcio Braga, zagueiro precisou passar por Paraná e Hoffenheim antes de estrear. Em dois jogos, nenhum gol sofrido
“Novo Juan”, substituto de Fábio Luciano, solução para uma zaga devastada por derrotas incríveis para Sport e Coritiba... Fabrício tem apenas duas partidas como profissional do Flamengo, mas a invencibilidade diante de Internacional e Fluminense fez o torcedor perceber que pressão não é problema para ele. Aos 19 anos, o zagueiro acostumou-se com uma tempestade de elogios desde as categorias de base, mas o momento de vestir a camisa rubro-negra como profissional demorou a chegar, e por pouco não aconteceu.
Emprestado ao Paraná Clube em 2008, o jovem se destacou, ajudou a livrar o clube do rebaixamento e voltou à Gávea sob uma profecia de Marcio Braga: “Ele será o novo Juan”, em referência ao zagueiro do Roma e da seleção brasileira. A pré-temporada foi cercada de expectativa, mas antes mesmo da estreia no Carioca, o adeus: empréstimo ao Hoffenheim, da Alemanha, com possibilidade de compra dos direitos federativos após três meses. O clube nem contava mais com o jogador quando os alemães estouraram o limite de estrangeiros com a contratação de Maicosuel e mandaram Fabrício de volta ao Rio de Janeiro.
Sem Fábio Luciano, aposentado, Fabrício surgiu como salvação e também se salvou. Voltou a ver de perto um sonho que estava sob risco.
- Sempre tive o sonho de jogar pelo Flamengo. Imaginei que isso poderia ser atrasado. Porém, estava escrito no destino.
Confira toda a entrevista com o zagueiro rubro-negro:
Em duas partidas como profissional do Flamengo, você ainda está invicto. Esse início de sua trajetória no clube está sendo melhor do que o esperado?
Tudo isso é fruto da entrega durante as semanas de treinamento. Recebemos muitas críticas, nos doamos ao máximo para mudar esse panorama e graças a Deus estamos há dois jogos sem sofrer gol. Isso é muito importante. Principalmente para mim, que estou começando.
Você entrou na defesa em um momento complicado, o time tinha sofrido nove gols em dois jogos. Teve algum tipo de pacto ou conversa para solucionar os problemas?
Acompanhei esses dois jogos do lado de fora, do banco. Com todo o respeito ao Sport e ao Coritiba, foram jogos atípicos. Lógico que erros aconteceram, ninguém toma nove gols à toa, mas não foi normal. Tínhamos essa consciência. E corrigimos os erros com calma e tranquilidade.
Contra o Fluminense, falou-se muito da zaga ‘sub-20’ do Flamengo (Fabrício tem 19 anos e Welinton 20) contra o tão badalado trio Fred, Thiago Neves e Conca. Os jovens acabaram levando a melhor. O conhecimento que vocês têm desde a base fez a diferença?
Nos conhecemos há muito tempo. Jogamos juntos desde a base. Sabemos do nosso potencial. O adversário era perigoso, com três jogadores de renome mundial e tínhamos que jogar além do normal. O bom relacionamento que temos facilitou. Um pode cobrar e escutar o outro.
Na próxima rodada, porém, o Ronaldo Angelim estará de volta. Como vai ficar essa briga entre dois amigos? Acha que leva desvantagem por ser canhoto, como o Angelim?
Na zaga não tem muito essa de lado esquerdo ou direito. Aqui no Brasil há o folclore de que dois destros podem jogar e dois canhotos não. Vou trabalhar a semana e esperar a decisão do Cuca. O que for decidido, vou apoiar. Quero o bem do Flamengo.
Você já foi apontado como o ‘novo Juan’, o substituto do Fábio Luciano, mas demorou para chegar o momento de ser aproveitado no Flamengo. Foi fácil segurar a ansiedade nos momentos no Paraná e no Hoffenheim?
Esse período foi muito importante para aprendizagem e amadurecimento. Tirei muitas lições das dificuldades. No Paraná foi mais tranquilo, mas na Alemanha passei por mudança de posição, clima, país... Apesar de não parecer, sou novo (risos). Cresci muito como jogador e como pessoa. Foi importante para poder voltar e realizar meu sonho de jogar no Flamengo.
Em algum momento chegou a pensar que esse sonho não seria realizado?
Com certeza. Não tanto no Paraná, mas quando fui para a Alemanha. Ficava naquela expectativa de voltar. Todo mundo quer ir para a Europa, mas sempre tive o sonho de jogar pelo Flamengo. Imaginei que isso poderia ser atrasado. Porém, estava escrito no destino.
E voltar com a responsabilidade de ocupar um lugar que era do Fábio Luciano? Tem noção da responsabilidade?
Antes e depois de jogar pelo Paraná tive a oportunidade de trabalhar com o Fábio e conversei muito com ele. Ele me deu dicas, conselhos... Sei que não tem como igualar o que ele fez. É uma grande pessoa, um grande profissional. Mas tenho a confiança de todos no clube e espero dar conta, responder dentro de campo com muito trabalho e empenho.
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